sexta-feira, 1 de agosto de 2014

“O modelo dos modelos” Italo Calvino



 
“O modelo dos modelos”
Italo Calvino

Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.

                      

Há tantos quadros na parede, há tantas formas de se vê o mesmo quadro...
                                                                                       Ninguém Ninguém
                                                                           Engenheiro do Havaí -Gessinger



Refletindo... Podemos pensar no que já existe de acordo com nossos “conceitos” e na resistência em quebrar paradigmas. Refletimos sobre nossas práticas de acordo com o texto podemos dizer que devemos ver nossos alunos com seres únicos e que a aprendizagem acontecerá de acordo com os estímulos apropriado para que o ensino aconteça. Nesta linha de raciocino não devemos levar em conta apenas a singularidade do aluno, mas também levar em consideração todo o contexto que envolva o mesmo, ou seja nos vários aspectos da vida humana respeitando suas peculiaridades. O trabalho com alunos com deficiência exige tais ações, conhecer o aluno como todo para que possamos traçar a ação pedagógica pautada em suas necessidades educacionais para que o ensino se efetive. É preciso que enquanto educadores estejamos abertos aos novos conhecimentos, buscar alternativas para que o processo ensino-aprendizagem aconteça e assim possamos moldar e adequar cada um de acordo com seus modos.



                                                                                               Por: Lucelia Lima

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